Mindfulness, uma bóia de salvação

 Photo by  Jared Rice  on  Unsplash

Photo by Jared Rice on Unsplash

Antes de eu saber da existência do famoso método de mindfulness eu já desconfiava que algo deste género teria de existir. E deixem-me partilhar este pensamento com vocês.

Estava eu no 2º ano da faculdade, lembro-me bem, sentada na fila da frente na sala de aula na cadeira de teoria da Informática (não tenho a certeza do nome, mas era algo parecido com isto), e discutia-se com toda a descontração e dedicação da turma os avanços tecnológicos, mais especificamente os avanços da internet. Como ela se tornou mais rápida, em como grande maioria da população tinha acesso a ela e como a informação circulava cada vez mais depressa pelo mundo fora. Atenção que nesta altura, estávamos em 2002 e ainda não existiam os smartphones...

Nunca mais me esqueço da parte em que o nosso professor falava da rapidez como a informação é espalhada e processada, como cada vez mais estamos expostos a ela e temos a tendência para, muitas vezes subscientemente, a tentarmos acompanhar ao mesmo ritmo. Como é óbvio, nós não somos nenhumas máquinas e como tal, é-nos difícil acompanhar esse ritmo cada vez mais frenético, mais instantâneo e momentâneo. E em consequência disso cada vez mais surgem problemas do foro mental, pois para muitos de nós seres humanos, há uma sobrecarga cada vez maior, nesta tentativa de acompanharmos e processarmos muita informação ao mesmo tempo.

O mindfulness surgiu como forma de escape, de conseguirmos controlar a velocidade do nosso cérebro antes que ele dê o tilt, e possamos evitar problemas mais graves e sérios como o transtorno da ansiedade, a depressão, o esgotamento nervoso entre outros. E isto não é novidade nenhuma para ninguém,porque a abordagem a estes tems tem sido feito com cada vez mais frequência, as estatísticas mostram que há cada vez mais gente a sofrer destes probelmas de saúde mental, cada vez mais se fala e se traz para a luz como forma de chamar a atenção e que temos de desacelerar um pouco, mas a sociedade não quer saber... o mercado de trabalho tão pouco.

Atenção, isto é a apenas a minha opinião e de como eu tenho observado os últimos 10 anos, desde o dia em que debatemos este tema na faculdade. E de facto só se veio a confirmar as nossas suspeitas, que posso dizer que alguns achavam que era só da boca para fora, que eram uma espécie de filosofia barata e que nós com aquela idade ainda não tínhamos uma percepção da vida como adultos...
Pois, eu não concordo e aqui está a prova de que aos 20 anos de idade não estávamos longe de adivinhar o futuro da nossa geração.

Não é por acaso que vejo muita gente da minha geração a querer encontrar umestilo de vida mais simples, minimal e com sentido. Ainda que poucos, há cada vez mais gente a voltar a viver do campo, e/ou a viver da vida rural, a fazerem uma vida por si sem dependerem de um empregador. Não é fácil é um objectivo fácil de atingir, mas ainda assim é tangível.

Enquanto aos poucos eu vou "lutando" por esse meu pedaço de vida, vou-me preservando praticando mindfulness todos os dias, dedicando-me aos meus projectos pessoais sem exigir muito de mim prórpia, desfrutando de pequenos momentos de tranquilidade e partilhando esses momentos aqui com vocês.
Como sabem, um dos meus exercícios de mindfulness preferidos é o crochê, e não há nada que me faça largá-lo. Aos poucos vou aprendendo mais técnicas, tendo mais ideias... É como uma pequena tímida engrenagem do meu dia-a-dia que, por mais que funcione como pano de fundo, faz parte de um mecanismo maior e imprescidível para mim.

E quase me esquecia de um pormenor importante: em vez de fugir ou negar a ansiedade, nada melhor do que abraçá-la, aceitar que ela faz parte de nós e primeiramente assumí-la para que depois se possa aprender a gerí-la.

E para vocês, qual é vosso método de mindfulness?