Material, o que aprendi ao longo de várias compras

Começo já por vos contar que encontrar material de crochê foi dos meus maiores desafios. Perfeccionista como sou, sempre achei que tinha de começar logo desde o início com a agulha certa para a linha adequada para o trabalho a fazer. Tinha uma vaga ideia de que existia um elemento chamado tensão e de como isso afetava a regularidade dos pontos; porque ainda me lembro bem de quando a minha avó me ensinou a fazer crochê. Fiz um quadrado de pontos baixos e outro de pontos altos, e de um para o outro notei a evolução mas ainda assim dava para ver como cada carreira era irregular, aos altos e baixos que mais pareciam aos zigue zagues. Eu ainda era uma criança e nessa altura perdi a paciência par aquilo e encostei as agulhas a um canto.

Hoje tenho-me sentido cada vez mais confortável com o material que uso, e acima de tudo, tenho mais paciência para fazer testes (aqueles quadradinhos de amostra) antes de começar um projeto grande ou que seja dispendioso quer em termos de tempo e/ou dinheiro.

Atualmente ainda recorro e penso que recorrerei sempre a pesquisas de mercado até encontrar as lojas que me agradem, porque afinal de contas eu não uso só agulhas e linha. Há alças e fechos de vários tipos para aplicar em alguns dos meus trabalhos ou de projectos de livros que tenho vindo a comprar.

Neste momento recorro a duas lojas para compra de linhas. Uma loja online do Reino Unido chamada Wool Warehouse e uma loja que vende de tudo um pouco, incluindo novelos de algodão de marca portuguesa. Não sei se vai compensar comprar linhas na loja inglesa daqui a uns tempos por causa do Brexit, mas enquanto puder ali será. Entretanto, descobri uma retrosaria (armarinho para os brasileiros) perto de minha casa que, pelo que pude ver de passagem, as paredes são revestidas de estantes recheadas de novelos atrás de novelos bem coloridos. - Quando lá for eu conto-vos como foi a experiência!

Também há outra bem aqui ao lado de casa bastante completa em termos de variedade de materiais de retrosaria/armarinho: tecidos, tricotin, alças, fechos à medida, material para bordado, ponto-cruz entre muitos outros. Ainda assim há um factor que me preocupa imenso que é a ruptura de stock, porque pode acontecer ficar sem linha durante um trabalho e eles já não terem mais na loja. (Já me aconteceu e não foi nada agradável!)

Por esta mesma razão é que optei por recorrer a lojas online que garantem quase sempre o stock e quando há a possibilidade de ruptura, eles deixam um aviso na página do produto, não é um alívio para todas nós?! Para mim, sem dúvida que é.

Mas ainda assim não é fácil comprar online, porque apesar da loja ter o cuidado de colocar fotografias o mais fieis possível do produto original, há sempre uma ligeira discrepância na cor. É um risco que se corre, mas acredito que é um risco menor porque a diferença não é assim muita; mas pode sim haver ligeiras variações entre lotes. Por exemplo, eu tenho comprado à medida que vou fazendo a linha de algodão Drops Paris em 3 tons de azul e já me aconteceu de chegar ao site e ter um aviso de que o lote de cor que comprei já ter esgotado e ter de comprar de um lote novo. Isto é bastante atencioso da parte deles para com os clientes, como também é o tal aviso de que a cor pode vir com uma ligeira a insignificante variação. Ora vejam o exemplo abaixo.

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A espessura da linha é, afinal de contas, o elemento que ajuda a determinar as dimensões do trabalho e as agulhas que devemos usar.

Admito que é neste passo que mais tenho medo de fazer porcaria, mas graças a excelentes dicas partilhadas em alguns livros de crochê que tenho, passei a entender melhor como escolher a espessura da linha ou da agulha dependendo do tipo de trabalho que vou fazer. isto porque envolve o famoso gauge (tensão da linha). Basicamente, para trabalhos que precisem de manter a sua forma como os amigurumi e algumas bolsas com formas específicas, há que apertar mais o ponto para enrijecer o formato final; enquanto que para vestuário já queremos peças mais maleáveis, elásticas e suaves.

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Dica para bolsas com formato: se não têm a certeza de que material de linha devem comprar, optem por uma que seja pelo menos 50% acrílico para que a bolsa não comece a ficar deformada com o uso e o peso. Para vos dar o exemplo, aqui está a etiqueta da linha Drops que usei para fazer uma bolsa com base no livro “Modern Crochet” da Molla Mills.

Na hora da compra…

… muitos sites aplicam um valor fixo para os portes de envio consoante a quantidade e/ou peso da encomenda. Isto quer dizer que muitas vezes este processo só é vantajoso quando compramos em grandes quantidades, e como eu não tenho (ainda) um suporte financeiro para fazer compras de grande valor, tento pelo menos equilibrar este tipo de despesas criando um valor mínimo de compra para compensar os gastos de portes.

Muitas das lojas, britânicas principalmente, cobram um mínimo de €5. E uma dica que vos posso deixar aqui é, fiquem de olho das promoções porque pode-se vir a poupar bastante ou então oferecem os malditos portes.
Para se ficar atento às promoções não há nada melhor do que subscrever às newsletters. Podem acabar com um monte de publicidade no email, mas acredito que com paciência se consiga pescar umas boas promoções de vez em quando.

Estas são as dicas e a experiência que tenho tido até hoje com compra de material online. Se me lembrar de mais alguma coisa eu farei um outro post para dar continuidade ao assunto, visto que durante as minhas pesquisas vou sempre encontrando outras lojas e conhecendo novas linhas.
Eu gosto de partilhar estas pequenas coisas da vida de uma crocheteira porque sei que há mais gente a passar por esta situação ou que se está a iniciar, e nada me agrada mais do que ver cada vez mais gente a voltar ao bom e saudável hábito-vício-exercício-obsessão que é o crochê!